Apaixonados por trem
Esqueletos de aço se espalham por Santa Catarina. Pontes tatuadas na geografia em pelo menos nove cidades. Algumas estão escondidas na mata que sangrou quando a veia da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande dilacerou o sertão catarinense. Assim é a de Herval d’Oeste, com 111 anos servindo apenas para a travessia dos moradores do bairro. Sem apito do trem, os dormentes servem às brincadeiras das crianças.
Outras, à vista, emoldurada em cartão-postal, como a de Cabeçudas, em Laguna, ao Sul do Estado. É uma de ferro medindo 1,4 mil metros que avança sobre a lagoa. Já se vão 130 anos.
As construções dessas pontes centenárias representaram um marco nas relações comerciais de Santa Catarina. Elos de emergentes cidades do século passado, onde rios separavam os estados do Sul do Brasil. À época, pela ferrovia, eram transportadas cargas como madeira, carvão, alimentos. Hoje, são monumentos que levam a um passeio por memórias.
Mas, se encurtam distâncias entre margens, parecem longe do merecido valor. A ponte de ferro sobre o Canal Laranjeiras, em Laguna, é um exemplo. Inaugurada em 1882 e utilizada pela antiga Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina até 1934, é apenas um cartão-postal que chama a atenção de quem passa ao longo da BR-101, que corta a lagoa.
Apesar da importância que teve no desenvolvimento econômico da região no século 20, não está tombada como patrimônio histórico.
Um bem praticamente abandonado
A Ferrovia Tereza Cristina (FTC), que ganhou a concessão de explorar a malha ferroviária no Sul do Estado, adquiriu junto à União apenas o patrimônio em condições operacionais. Por isso, a antiga ponte, hoje, é praticamente um bem abandonado pelo governo federal.
– Realizamos apenas uma manutenção básica como uma forma de respeito à memória ferroviária – diz o gerente de administração da FTC, José Gilberto Machado.
O médico José Warmouth Teixeira, autor de vários livros sobre a ferrovia no Sul do Estado, explica que a prefeitura de Laguna discutiu a possibilidade de um tombamento histórico. O assunto não avançou. A implantação de um sistema de iluminação para destacar a estrutura, como acontece com a Ponte Hercílio Luz, também não se concretizou: o orçamento estimado em R$ 300 mil inviabilizou o projeto.
– Diferentemente de inaugurar, cuidar de obra não reverte ações em voto – sugere o professor Bardal Marcellino, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
No Departamento Estadual de Infraestrutura de Transportes (Deinfra) não existe uma documentação que catalogue as pontes ferroviárias em Santa Catarina.
LAGUNA
Quem passa pelo trecho Sul da BR-101, na localidade de Cabeçudas, em Laguna, encontra a ponte de ferro utilizada pela antiga Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina. Inaugurada em 1882, junto com toda extensão da ferrovia entre a região de Lauro Müller e Imbituba, tem uma estrutura de 1.480 metros de extensão sobre a Lagoa do Imaruí. Foi desativada em 1934
IBIRAMA
A Ponte Hansa (nome da estação do trem), de Ibirama, está localizada no quilômetro 121 da BR-470. Foi inaugurada em 1º de outubro de 1909 e desativada em 1971. Na época da inauguração da ferrovia, era a maior obra de engenharia da região do Vale do Itajaí. Ainda hoje, quem percorre de carro ou a pé o antigo caminho da ferrovia que dá acesso à ponte, percebe os cortes feitos na rocha e as curvas suaves da ponte construída ao longo da margem direita do Rio Itajaí-Açu.
CAÇADOR
Construída no Centro de Caçador, no Meio-Oeste, a ponte está desativada há 30 anos. A data de inauguração é desconhecida pelos historiadores, mas acredita-se que em 1909. Os ferros passam sobre o Rio Caçador e são ponto de referência no encontro com o Rio do Peixe. O historiador Julio Corrente diz que a construção da estrutura marca o início do desenvolvimento da região. O material de contrução foi trazido da Europa. Embora não tenha fluxo de veículos, a ponte oferece trafegabilidade, segundo Corrente.
MAFRA
Sobre o Rio Negro, a ponte metálica Dr. Dinis Assis Henning, entre as cidades de Mafra (SC) e de Rio Negro (PR) é tombada pelo Patrimônio Histórico do Estado e o maior monumento da região. Foi construída nos estaleiros da Compgneie Dyle et Baccalan, na Bélgica, em 22 de novembro de 1896. Além da estrutura de ferro, a ponte tinha viadutos de acesso e esteve, no final do século 20, fechada ao trânsito, sendo restaurada e reinaugurada, com liberação ao tráfego, em 2000.
BLUMENAU
A estrutura construída sobre o Rio Itajaí-Açu se impõe na paisagem e mantém viva a memória da Blumenau do início do século passado. Construída para servir à Estrada de Ferro de Santa Catarina (EFSC), a Ponte Aldo Pereira de Andrade, também conhecida como Ponte de Ferro, foi inaugurada em dezembro de 1931. Passou 20 anos abandonada, a partir da extinção da ferrovia, em 1971, e só ganhou nova utilidade no início da década de 1990, quando foi restaurada. Permite a circulação de veículos e pedestres.
FLORIANÓPOLIS
Recentemente, um novo capítulo da novela da restauração da Ponte Hercílio Luz, o cartão postal de Florianópolis: o alerta do risco de desabamento. Apesar de o aviso vir com teor de novidade, a ponte está em risco desde quando foi interditada, em 1982. A obra foi projetada e construída para fazer a primeira ligação terrestre entre a Ilha e o Continente, sem a passagem de trens. É uma das maiores pontes pênseis do mundo e a maior do Brasil. No próximo 13 de maio completa 85 anos. Tem cerca de 819 metros de extensão e quase 5 mil toneladas. É tombada pelo Patrimônio Histórico e a restauração anda a passos lentos.
HERVAL D'OESTE
A inauguração de ponte que passa pelo Rio Barra Verde é de 1º de setembro de 1910. A estrutura foi montada no Bairro Nossa Senhora Aparecida e, hoje, é utilizada apenas pelos moradores. Há um folclore em relação ao comprimento. Comenta-se que a medição do comprimento, antes de ser encomendada a construção, foi feita somente com base na largura do rio e não na largura das “barrancas”. Outra lenda é a da troca de pontes, pois foram construídas duas pontes na Bélgica, uma que deveria ser destinada à África. A diferença só foi percebida na montagem
PIRATUBA
Na divisa entre SC e RS existe a ponte unindo Piratuba (SC) a Marcelino Ramos (RS). A estrutura veio da Bélgica e foi inaugurada em 22 de junho de 1913. Foi erguida para auxiliar o transporte de cargas na Ferrovia São Paulo-Rio Grande. O trabalho de manutenção do local é feito pela Associação Brasileira de Preservação de Ferrovias (ABPF), que oferece os passeios de maria-fumaça todos os sábados. Em 2000, a estrutura foi içada devido ao aumento do nível do rio em decorrência da Barragem de Itá.
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Permalink Responder até Lui Phelipe AMANTE DE FERROVIAS em 6 maio 2012 at 0:56
Trem sobre o rio Paranaíba, divisa Minas Gerais / Goiás, dirigindo-se a Brasília: 2 de setembro de 1958,
Fotografia p/b, Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã, Rio de Janeiro A ponte, juntamente com o trecho Patrocínio - Ouvidor, foi construída no primeiro período Vargas, à época da Marcha para Oeste
Permalink Responder até Mauricio Manfrine terça-feira Exibições: 10275 em 14/05/2012
Uma foto histórica que revela duas realidades opostas: A imponência da ponte construida na era Vargas e os vagões sucateados já em 1958, demostrando o descaso do governo com as ferrovias.
Permalink Responder até ROBERTO FONSECA DIAS quarta-feira Irei mandar se voce quiser algumas fotos de outras pontes, algumas raríssimas...
Um abraço
Roberto
Uberlandia-MG
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carlos roberto batista de meneze postou um status
Anderson Nascimento comentou a postagem no blog EXCLUSIVO: Super Via espera sinal verde do Governo RJ para reconstrução do ramal Santa Cruz - Itaguai para passageiros de Lui Phelipe AMANTE DE FERROVIAS
benedito pinto alvarenga postou um vídeo© 2012 Criado por Amantes da Ferrovia.