Apaixonados por trem
Cristian Weiss | cristian.weiss@santa.com.br
Às margens do Rio Itajaí-Açu surgiram, em 1907, os primeiros trilhos que abasteceriam a Estação Itoupava Seca, em Blumenau. A ferrovia emergiu como um símbolo do poderio econômico da Região de Altona, habitada por 500 famílias de comerciantes tradicionais do Vale do Itajaí e viajantes que chegavam pela ferrovia ou pelo porto do bairro.
Caminhos de ferro construídos pelas mãos de engenheiros alemães ligavam a estação, onde hoje fica a prefeitura de Blumenau, a Warnow, em Indaial. Era o primeiro trecho da Estrada de Ferro Santa Catarina, ampliado gradativamente nos anos seguintes. Nesta quinta-feira de manhã, um fragmento do símbolo do triunfo econômico do Vale, despedaçado ao poucos após a desativação da ferrovia em março de 1971, foi encontrado durante as obras do esgoto. Oculto sob meio metro de macadame, terra e asfalto da Rua Adolfo José dos Santos, Bairro Itoupava Seca, pelo menos 50 metros da ferrovia permanecem intactos. Os operários escavavam uma vala para a implantação dos tubos quando atingiram uma placa e dois pregões que estavam anexados à madeira dos trilhos.
— Todo mundo ficou surpreso com o achado e ao mesmo tempo confuso, sem saber o que fazer — explica Cléber Renato da Silva, diretor operacional da Foz do Brasil, empresa responsável pela implantação da rede de esgoto no município.
A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos foi acionada e recolheu o fragmento do trilho arrancado na escavação. O restante da estrutura, no entanto, ainda não tem um fim adequado. Segundo o secretário Éder Marchi, a prefeitura vai entrar em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelas estradas de ferro da União, para identificar que procedimentos tomar.
Os trilhos compuseram a antiga Oficina da Rede Ferroviária da Itoupava Seca, atrás do campus 2 da Furb. Local onde as locomotivas recebiam reparos, ficavam estacionadas ou faziam as manobras de retorno. Dali, os caminhos expandiam-se pela Rua São Paulo, onde havia a Estação Itoupava Seca, e se dividiam entre a atual Avenida Martin Luther, a quem seguisse para o Litoral, e a Rua Bahia, rumo ao Alto Vale.
Fonte:
http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/jsc/19,6,3335401,Trilhos-da-E...
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Dor no coração por esta lembrança.
O Secretário está desinformado, pois mais nada do que resta desta ferrovia pertence a União e sim a a empresa de sucatas que comprou todo o material leiloado nas décadas passadas (nem sei tb se eles ainda tem algum direito).
Então não adianta nada falar com o Dnit e sim recolher o que resta e colocar em um museu, pois possivelmente será enterrado novamente.
Permalink Responder até Sergio Feijão Filho em 1 agosto 2011 at 19:27
Esta noticia consagra o valor que os políticos dão as coisas. A EFSC desapareceu pela mão dos políticos sempre interessados em acabar com o país e agora, a infeliz e provinciana observação deste político demonstra o valor que se dá a um achado destes. O descaso é geral e a administração de Blumenau, que tanto se empenhou em apagar definitivamente, as marcas do ferroviarismo local, o faz mais uma vez, fazendo besteira. Guardem estas barras de trilho como uma pálida e distante recordaçãodo que foi a Estrada...
Permalink Responder até Mauricio Manfrine em 1 agosto 2011 at 20:18
Permalink Responder até leandro douglas pedroso em 1 agosto 2011 at 21:59
Isto é verdade, aqueles materiais que não foram arrancados pela empresa de ferro velho que ganhou a licitação para a retirado das peças ferroviárias (inclusive vagões e locomotivas), foram enterrados pelo poder público.
E pelo que sei, este material ai da notícia foi enterrado de novo após as obras.
Aliás, a administração desta cidade só tem olhos para a festa da bebida.
Brasil, Brasil, Brasil....o país da copa.
Permalink Responder até Samuell Alexandre em 2 agosto 2011 at 22:42
realmente o que acabei de ler é o retrato do que chamo de um verdadeiro crime ao modal ferroviário no Brasil!
nos anos 60 e 70, o Brasil viveu o "apogeu" das erradicações de ferrovias!
eu gostaria de saber qual foi o "critério" usado, pois é muito estranho!
todas as erradicações foram feitas porque as ferrovias em questão foram consideradas "anti-econômicas"!!
será?
vários foram os argumentos como: muitas curvas no traçado?!?!, rampas fortes, pouco movimento de passageiros e baixa velocidade dos trens!
que absurdo! trem não foi inventado para correr e competir com o automóvel ou avião! trem tem que andar devagar mesmo! questão de segurança, imagine 300 vagões carregados de minério lá da ferrovia de carajás viajando há 150 ou 200 km/h?? se descarrilhar, imagine a tragédia? e se em vez de minério fossem passageiros, homens, mulheres e crianças? e se ocorrer algo semelhante nesta velocidade com uma composição de apenas 10 vagões cheios de passageiros? lembre-se do trem bala chinês??
neste caso, pode-se observar que a política brasileira apostou tudo no modal rodoviário, tanto que o desespero de se trocar ferrovias por ruas ou estradas foi tamanho que os trilhos que não foram retirados, foram enterrados! ora pessoal qualquer um consegue retirar um trilho do lugar, não é algo impossível, muito menos para os anos 60 ou 70, pois eles foram colocados neste lugar décadas antes de sua desativação!! não é?
o que realmente me instiga é: para onde foram milhares de quilometros de trilhos?
e os dormentes? estruturas de pontes? não se esconde isso na garagem!
e outra coisa: para que desmontar? nunca entrou isso na minha cabeça!
ja vi relatos de antigos ferroviários dizendo sobre o processo de desmonte! mas por que??
a quem interessou desmontar, isso mesmo arrancar trilhos com dormentes e até desmontar estruturas metálicas de pontes das linhas ferroviárias extintas no Brasil? a se eu fosse presidente...
hoje destas ferrovias erradicadas restam apenas leitos ferroviários cobertos pelo mato ou invasão imobiliária, algumas pontes e túneis abandonados "vazios" e estações sem aquilo que lhes deram o nome e função: o trem!
que sonho um dia ver estes leitos ferroviários terem seus trilhos recolocados e novamente contribuírem para o progresso do Brasil!
com disse um velho ferroviário: " A ferrovia não é construída para dar lucros e sim para garantir o desenvolvimento e integração do País."
Esse é o respeito que o País e seus governantes têm pelo seu patrimônio histórico...
Agora, se fosse a casa de uma ex-BBB, estaria em perfeito estado, reformada com verbas públicas...
custou muito assentalos depois aterraram... fica só a lembrança
Deveriam colocar um pequeno trecho em visitação e em destaque toda sua impôrtancia que teve na época
Com certeza, Helio!
Abraços.
Permalink Responder até Anderson Nascimento em 23 fevereiro 2012 at 22:53
Concordo Samuell!
Samuell Alexandre disse:
realmente o que acabei de ler é o retrato do que chamo de um verdadeiro crime ao modal ferroviário no Brasil!
nos anos 60 e 70, o Brasil viveu o "apogeu" das erradicações de ferrovias!
eu gostaria de saber qual foi o "critério" usado, pois é muito estranho!
todas as erradicações foram feitas porque as ferrovias em questão foram consideradas "anti-econômicas"!!
será?
vários foram os argumentos como: muitas curvas no traçado?!?!, rampas fortes, pouco movimento de passageiros e baixa velocidade dos trens!
que absurdo! trem não foi inventado para correr e competir com o automóvel ou avião! trem tem que andar devagar mesmo! questão de segurança, imagine 300 vagões carregados de minério lá da ferrovia de carajás viajando há 150 ou 200 km/h?? se descarrilhar, imagine a tragédia? e se em vez de minério fossem passageiros, homens, mulheres e crianças? e se ocorrer algo semelhante nesta velocidade com uma composição de apenas 10 vagões cheios de passageiros? lembre-se do trem bala chinês??
neste caso, pode-se observar que a política brasileira apostou tudo no modal rodoviário, tanto que o desespero de se trocar ferrovias por ruas ou estradas foi tamanho que os trilhos que não foram retirados, foram enterrados! ora pessoal qualquer um consegue retirar um trilho do lugar, não é algo impossível, muito menos para os anos 60 ou 70, pois eles foram colocados neste lugar décadas antes de sua desativação!! não é?
o que realmente me instiga é: para onde foram milhares de quilometros de trilhos?
e os dormentes? estruturas de pontes? não se esconde isso na garagem!
e outra coisa: para que desmontar? nunca entrou isso na minha cabeça!
ja vi relatos de antigos ferroviários dizendo sobre o processo de desmonte! mas por que??
a quem interessou desmontar, isso mesmo arrancar trilhos com dormentes e até desmontar estruturas metálicas de pontes das linhas ferroviárias extintas no Brasil? a se eu fosse presidente...
hoje destas ferrovias erradicadas restam apenas leitos ferroviários cobertos pelo mato ou invasão imobiliária, algumas pontes e túneis abandonados "vazios" e estações sem aquilo que lhes deram o nome e função: o trem!
que sonho um dia ver estes leitos ferroviários terem seus trilhos recolocados e novamente contribuírem para o progresso do Brasil!
com disse um velho ferroviário: " A ferrovia não é construída para dar lucros e sim para garantir o desenvolvimento e integração do País."
Permalink Responder até Anderson Nascimento em 23 fevereiro 2012 at 23:00
Arrancaram os trilhos para beneficiar as empresas de transporte rodoviário! Resultado,um país com enorme dificuldade de transportar seus produtos e uma industria da morte sobre rodas nas precárias rodovias a cada feriado nacional. Vale ressaltar também que alguns ficaram milionários roubando os bens da RFFSA, outro dia, em uma reportagem, um cidadão (ex-funcionário da RFFSA) estava sendo preso por tomar posse de terrenos da extinta RFFSA e roubar uma locomotiva U20. Será que ele estava sozinho? Alguém em algum órgão federal deu apoio, cá pra nós, sumir uma U20 não é perder uma caneta. Brasil, o país dos "espertos"!
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